Em 2007 minha vida deu uma reviravolta. Precisei cortar laços que me prendiam, mudar de rumo. Em dezembro daquele ano, parti de Porto Alegre, minha cidade natal, e fui morar no Rio de Janeiro com minha mulher e dois filhos. Tivemos que deixar uma casa amada, vivemos a tristeza dos quartos vazios. Éramos apenas uma jovem família em busca de novos horizontes, forçados a migrar para que o ciclo da renovação se completasse. No Rio de Janeiro, provamos a alegria carioca de viver, uma espécie de magia que se dá na mistura de sol e mar salgado, entre pessoas que chiam charmosamente ao falar e sorriem para tudo. Ao ver “Ainda estou aqui” foi inevitável lembrar daqueles anos vividos no Rio. Meu filho voltando da quadra de futebol com os pés esfolados, às vezes uma ou outra fratura. Minha filha chegando em casa com seu coque de bailarina exausta depois das aulas de ballet na Escola Maria Olenewa, do Teatro Municipal. Coincidentemente, depois ela foi dançar na Dalau, a gra...
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